Naquele dia o céu, em toda a Venezuela, estava aterrorizador. As nuvens, obscuras e poderosas, estavam em guerra para com o Sol, não permitiam que este se atrevesse a colocar um bracinho que fosse para lá do território que elas tinham acabado de dominar. Não havia nem um passarinho a pairar pelo ar, um gato ou cão a saborear as ruas da cidade, uma criança a brincar nos largos, não havia ninguém fora de suas casas (ninguém se consegui atrever a tal acto). Apenas o som ameaçador do vento se fazia ouvir, era como se todos os seres ali existentes estivessem obrigados a assistir aquele recital que parecia ser de grande nível. Aqui e ali, viam-se crianças a olhar do cantinho da janela observando todo aquele espectáculo imenso, algo novo mas ao mesmo tempo cativador e surpreendente.
Passaram horas e horas e o Sol, já muito exausto, decidiu recolher-se. Quanto às nuvens, por ali continuaram a demonstrar todo o se poder sobre os céus e ordenando ao vento que não parasse de vaguear pelas ruas. Cada vez mais se estava a fazer sentir a noite, escura, intensa e muito medonha.
Foi então que, no auge da noite, se começa a avistar algo no horizonte, algo que se atreveu a desobedecer às ordens das nuvens e do vento, algo que demonstrava imensa coragem ao assumir aquela atitude. À medida que se ia aproximando tornava-se mais fácil de perceber o que vinha a sobrevoar as ruas da cidade, era uma andorinha, não muito grande, de cor preta e com uma discreta lista branca na sua cabeça, as patas eram brilhantes e os seus olhos negros eram intensos e transmitiam olhares profundos e penetrantes.
Muito baixinho, ouve-se uma voz vinda de uma grande árvore do parque de diversões:
- Mas o que está a fazer? Está a pôr a sua vida em risco… Deixe-me ajudá-la, por favor. Venha abrigar-se nos meus aposentos até este temporal passar. – disse um esquilo muito preocupado.
- Eu sei muito bem o que estou a fazer e não corro risco absolutamente nenhum! E se o contrário se passasse, não necessitaria da ajuda de ninguém, muito menos de um esquilo intrometido. Além disso sei desembaraçar-me sozinha. – respondeu ela com uma ar orgulhoso e arrogante.
E segui o seu caminho desprezando todos aqueles que a tentavam alertar para o tremendo disparate que estava a cometer.
Pouco depois um clarão iluminou todas as ruas e, segundos depois, ouviu-se um estampido tão forte, mas tão forte que as pedras da calçada fugiram das suas casas. O tempo estava a ficar ainda mais furioso, as nuvens juntaram-se ainda mais e o vento soprava com mais força levando tudo o que estava à sua frente, como se estivessem enraivecidos com a desobediência da andorinha causando-lhe, assim, um enorme problema como castigo.
O vento apanhou a andorinha e esta, já sem forças e também magoada, fechou os olhos e permitiu que este a levasse sem mais problemas e deixou ao seu critério o destino que ela iria ter.
Assim passou várias horas, o que levou a que a andorinha ficasse inconsciente, até que o vento se cansou e a deixou num local completamente desconhecido para a ela. Quando acordou entrou em desespero. Onde estaria ela? O que é que estava ali a fazer? Como foi ali parar? A sua cabeça era um enorme ponto de interrogação. Olhava à sua volta e não via ninguém, apenas árvores e rochas, e ao gritar somente ouvia o seu eco. Não havia nada que a pudesse ajudar.
Uma coisa era certa: ali parada não ia adiantar de nada! Por isso, abriu as asas e começou a voar. Sem dúvida que aquele lugar era lindíssimo, os lagos, as árvores, os campos, o contraste das pedras com a própria terra castanha. E pouco depois avistou uma zebra e foi ter com ela para pedir informações:
- Desculpe, pode dar-me uma ajudinha? Que lugar é este? – questionou a andorinha.
- Não se vê logo? Basta olhar para esta paisagem magnifica. Estamos em África.
- Como disse? África?! Não pode ser…
- Está a sentir-se bem? Precisa de alguma coisa? – perguntou a zebra muito preocupada.
A andorinha lá explicou o que tinha acontecido e a zebra, que até era bastante simpática e que gostava de ajudar, ofereceu-se logo para auxiliar a andorinha para que esta conseguisse voltar para a sua terra, mas com uma condição: teria que permanecer em casa da zebra até estar recuperada e com forças para viajar. Pela primeira vez a andorinha aceitou ajuda de alguém sem sequer questionar.
A adaptação não foi muito fácil mas passados 2 dias a ave já se dava muito bem com a zebra, a relação entre as duas ia estabelecendo, cada vez mais, laços fortes e firmes. Divertiam-se imenso, a nova amiga da andorinha fez questão de levar a andorinha aos mais belos paraísos de África. Ela andava fascinada com toda aquela beleza, com a felicidade que todos sentiam, com a intensidade com que se vivia cada dia como se fosse o ultimo, etc. Digamos que para ela era um mundo cor-de-rosa pintado por uma criança muito feliz. Jamais alguém tinha visto um sorriso expresso na face da andorinha, muito menos gargalhadas constantes. Todo aquele rancor, apatia, desinteresse, tristeza e hostilidade pela sua vida e por tudo que a rodeava, tinha desaparecido. Finalmente ela tinha uma amiga com quem podia contar para o que desse e viesse, alguém que lhe conseguiu demonstrar o verdadeiro sentido da vida que esta vai muito para além do que construímos à nossa volta.
Mas um dia a zebra chega a casa e dá uma notícia à sua amiga:
- Olha, já encontrei uma solução para o teu problema. Estive a falar a falar com uns amigos e eles disseram-me que iam fazer uma viagem à volta do mundo e por coincidência vão passar por Venezuela, por isso…
- Então isso quer dizer que já posso ir para casa? – interrompeu a andorinha.
- Sim, é isso mesmo. Já podes voltar para a tua terra.
- E quando?
- Já hoje mesmo!
- Ó amiga, muito obrigada por tudo! Eu nem sei como te agradecer. Vou ter imensas saudades tuas e deste paraíso fantástico.
- Eu também. – disse a zebra já com as lágrimas no canto do olho.
Rapidamente a andorinha foi arrumar as coisas que os habitantes de lá lhe tinham oferecido e despediu-se da sua amiga.
Ao começar de abandonar África, um flash de memórias desenrolou-se na sua mente. A andorinha vê o contraste entre a vida que tinha em Venezuela e a que tinha em África. Ela percebe que, antes de conhecer a zebra e aquele lugar, vivia numa perfeita solidão e que naquele momento não, pois tinha amigos e era muito feliz com eles.
Repentinamente a andorinha muda de sentido, abandonando o grupo, e vai em direcção à casa da zebra. Ao aproximar-se começa a chamar a sua amiga, a dizer que ali é que se sentia bem, que África era a sua nova casa e que se ela não se importasse ficava ali a viver com ela. Ao mesmo tempo ia olhando para a superfície. Como tudo era tão belo… Olhava para um lago, via vida; olhava para os arvoredos, via vida; olhava para as pedras, via vida; olhava para os animais, via vida; etc. Tudo onde o seu olhar incidia inspirava-lhe vida, tudo tinha uma lógica e uma razão de ser; umas coisas influenciavam outras, precisavam uns dos outros para viver. E do que precisava ela? Ora, precisava de toda aquela vida e alegria, precisava de África.
E foi ali que permaneceu repleta de felicidade com a sua amiga para todo o sempre!
Passaram horas e horas e o Sol, já muito exausto, decidiu recolher-se. Quanto às nuvens, por ali continuaram a demonstrar todo o se poder sobre os céus e ordenando ao vento que não parasse de vaguear pelas ruas. Cada vez mais se estava a fazer sentir a noite, escura, intensa e muito medonha.
Foi então que, no auge da noite, se começa a avistar algo no horizonte, algo que se atreveu a desobedecer às ordens das nuvens e do vento, algo que demonstrava imensa coragem ao assumir aquela atitude. À medida que se ia aproximando tornava-se mais fácil de perceber o que vinha a sobrevoar as ruas da cidade, era uma andorinha, não muito grande, de cor preta e com uma discreta lista branca na sua cabeça, as patas eram brilhantes e os seus olhos negros eram intensos e transmitiam olhares profundos e penetrantes.
Muito baixinho, ouve-se uma voz vinda de uma grande árvore do parque de diversões:
- Mas o que está a fazer? Está a pôr a sua vida em risco… Deixe-me ajudá-la, por favor. Venha abrigar-se nos meus aposentos até este temporal passar. – disse um esquilo muito preocupado.
- Eu sei muito bem o que estou a fazer e não corro risco absolutamente nenhum! E se o contrário se passasse, não necessitaria da ajuda de ninguém, muito menos de um esquilo intrometido. Além disso sei desembaraçar-me sozinha. – respondeu ela com uma ar orgulhoso e arrogante.
E segui o seu caminho desprezando todos aqueles que a tentavam alertar para o tremendo disparate que estava a cometer.
Pouco depois um clarão iluminou todas as ruas e, segundos depois, ouviu-se um estampido tão forte, mas tão forte que as pedras da calçada fugiram das suas casas. O tempo estava a ficar ainda mais furioso, as nuvens juntaram-se ainda mais e o vento soprava com mais força levando tudo o que estava à sua frente, como se estivessem enraivecidos com a desobediência da andorinha causando-lhe, assim, um enorme problema como castigo.
O vento apanhou a andorinha e esta, já sem forças e também magoada, fechou os olhos e permitiu que este a levasse sem mais problemas e deixou ao seu critério o destino que ela iria ter.
Assim passou várias horas, o que levou a que a andorinha ficasse inconsciente, até que o vento se cansou e a deixou num local completamente desconhecido para a ela. Quando acordou entrou em desespero. Onde estaria ela? O que é que estava ali a fazer? Como foi ali parar? A sua cabeça era um enorme ponto de interrogação. Olhava à sua volta e não via ninguém, apenas árvores e rochas, e ao gritar somente ouvia o seu eco. Não havia nada que a pudesse ajudar.
Uma coisa era certa: ali parada não ia adiantar de nada! Por isso, abriu as asas e começou a voar. Sem dúvida que aquele lugar era lindíssimo, os lagos, as árvores, os campos, o contraste das pedras com a própria terra castanha. E pouco depois avistou uma zebra e foi ter com ela para pedir informações:
- Desculpe, pode dar-me uma ajudinha? Que lugar é este? – questionou a andorinha.
- Não se vê logo? Basta olhar para esta paisagem magnifica. Estamos em África.
- Como disse? África?! Não pode ser…
- Está a sentir-se bem? Precisa de alguma coisa? – perguntou a zebra muito preocupada.
A andorinha lá explicou o que tinha acontecido e a zebra, que até era bastante simpática e que gostava de ajudar, ofereceu-se logo para auxiliar a andorinha para que esta conseguisse voltar para a sua terra, mas com uma condição: teria que permanecer em casa da zebra até estar recuperada e com forças para viajar. Pela primeira vez a andorinha aceitou ajuda de alguém sem sequer questionar.
A adaptação não foi muito fácil mas passados 2 dias a ave já se dava muito bem com a zebra, a relação entre as duas ia estabelecendo, cada vez mais, laços fortes e firmes. Divertiam-se imenso, a nova amiga da andorinha fez questão de levar a andorinha aos mais belos paraísos de África. Ela andava fascinada com toda aquela beleza, com a felicidade que todos sentiam, com a intensidade com que se vivia cada dia como se fosse o ultimo, etc. Digamos que para ela era um mundo cor-de-rosa pintado por uma criança muito feliz. Jamais alguém tinha visto um sorriso expresso na face da andorinha, muito menos gargalhadas constantes. Todo aquele rancor, apatia, desinteresse, tristeza e hostilidade pela sua vida e por tudo que a rodeava, tinha desaparecido. Finalmente ela tinha uma amiga com quem podia contar para o que desse e viesse, alguém que lhe conseguiu demonstrar o verdadeiro sentido da vida que esta vai muito para além do que construímos à nossa volta.
Mas um dia a zebra chega a casa e dá uma notícia à sua amiga:
- Olha, já encontrei uma solução para o teu problema. Estive a falar a falar com uns amigos e eles disseram-me que iam fazer uma viagem à volta do mundo e por coincidência vão passar por Venezuela, por isso…
- Então isso quer dizer que já posso ir para casa? – interrompeu a andorinha.
- Sim, é isso mesmo. Já podes voltar para a tua terra.
- E quando?
- Já hoje mesmo!
- Ó amiga, muito obrigada por tudo! Eu nem sei como te agradecer. Vou ter imensas saudades tuas e deste paraíso fantástico.
- Eu também. – disse a zebra já com as lágrimas no canto do olho.
Rapidamente a andorinha foi arrumar as coisas que os habitantes de lá lhe tinham oferecido e despediu-se da sua amiga.
Ao começar de abandonar África, um flash de memórias desenrolou-se na sua mente. A andorinha vê o contraste entre a vida que tinha em Venezuela e a que tinha em África. Ela percebe que, antes de conhecer a zebra e aquele lugar, vivia numa perfeita solidão e que naquele momento não, pois tinha amigos e era muito feliz com eles.
Repentinamente a andorinha muda de sentido, abandonando o grupo, e vai em direcção à casa da zebra. Ao aproximar-se começa a chamar a sua amiga, a dizer que ali é que se sentia bem, que África era a sua nova casa e que se ela não se importasse ficava ali a viver com ela. Ao mesmo tempo ia olhando para a superfície. Como tudo era tão belo… Olhava para um lago, via vida; olhava para os arvoredos, via vida; olhava para as pedras, via vida; olhava para os animais, via vida; etc. Tudo onde o seu olhar incidia inspirava-lhe vida, tudo tinha uma lógica e uma razão de ser; umas coisas influenciavam outras, precisavam uns dos outros para viver. E do que precisava ela? Ora, precisava de toda aquela vida e alegria, precisava de África.
E foi ali que permaneceu repleta de felicidade com a sua amiga para todo o sempre!

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